Menino de ouro… conheça Ari Gold

Desde criança sob os holofotes do showbusiness, Ari Gold teve que escolher a independência musical para cantar o amor entre homens.

Ari Gold

Não fosse o conservadorismo da indústria fonográfica norte-americana, talvez Ari Gold fosse hoje o novo Justin Timberlake ou Kaney West. Com músicas pop de levada R&B, grooves somados a uma voz suave, além do carisma e a preocupação estética típicos de um popstar, Ari só não está no patamar dos cantores supracitados por falar do amor entre dois homens em suas letras. Após chamar a atenção da mídia gay em 2001 com seu disco de estréia, o bonitão chega ao terceiro álbum mantendo intactos o orgulho de ser gay e o espírito “do it yourself” (faça você mesmo).

Transport System, como foi batizado o novo disco, é o primeiro lançado fora de sua própria gravadora, a Gold 18, que publicou seus dois primeiros albums. A independência no início da carreira se justifica pela bem resolvida sexualidade de Ari, que negou propostas de grandes gravadoras que o pediam para “ficar dentro do armário”.

Atualmente com 30 anos, Ari começou sua carreira ainda na infância. Com cinco anos, chamou a atenção da família ao cantar no bar mitzvah (espécie de baile de debutantes para meninos judeus) de seu irmão. Chegou a gravar 400 jingles, além de ter dublado e atuado em séries da TV. Até um backing vocal para Diana Ross esse filho de judeus ortodoxos tem no currículo.

O precoce atrito entre a cultura judaica e o showbusiness quando criança e o posterior conflito sexualidade versus imposições do mercado da música, são alguns dos temas discutidos na entrevista que Ari cedeu ao Blog do Junior. Veja a conversa de pois do pulo.

Você faz questão de repetir que é o primeiro cantor pop abertamente gay desde o início da carreira. Você vê isso como algo político?
Acima de tudo sou um artista. Mas eu acredito que a música também pode ser engajada. O que eu faço é político até quando o fato de ser gay ainda for uma questão política, até quando não tivermos todos os direitos humanos garantidos, até quando jovens continuarem pensando que ser gay não está certo, até quando houver violência contra gays. As pessoas me enviam e-mails o tempo todo dizendo como eu as faço se sentirem melhor ou como eu as ajudo a se assumirem. Eu teria amado que alguém como eu existisse quando eu era mais novo. Alguém que cantasse canções sobre como é ser um homem gay. Isso teria poupado tanta dor e vergonha. Eu fico bastante honrado de ter me tornado esse referencial para as pessoas.

Quando você acha que a sociedade em geral estará pronta para apreciar um artista assumido, como você?
Ela já está .Várias pessoas do cinema e da TV já lidam com isso abertamente. O mainstream já está preparado. O que está faltando é o apoio da indústria da música e da comunidade gay em si. Quando tivermos isso, as pessoas em geral vão querer ouvir nossas histórias. Apenas a extrema direita ou os religiosos fundamentalistas não vão querer nos ouvir.

Suas músicas soam pop e bem comerciais, mas por outro lado suas letras o fazem um artista da cena alternativa. Você gosta desse lado “indie” ou iria preferir ser completamente do mainstream?

Eu sempre fui fã de música pop e dos programas do tipo “top 40” das rádios. Eu gosto da idéia da música que gruda na cabeça, com bons grooves e, de preferência, que ainda possua uma mensagem a ser passada. Gosto de usar esses elementos para entrar na cabeça das pessoas e dizer coisas que nunca foram ditas em uma música pop. É como quando Shakespeare tinha que enfiar as melhores idéias sobre o amor na forminha de um soneto. Não que eu esteja me comparando ao Shakespear!

Ari Gold 2
Quem são os artistas que você admira e que influenciam seu trabalho?
Ah, são tantos. Eu amo Michael Jackson, a Janet Jackson, a Madonna. Ela (a Madonna) sempre queria dizer algo com suas músicas. É o que eu também tento fazer. Eu acho que deve existir alguma coisa por trás da música. E vários outros, como Marvin Gave, Mary J Blige, Mariah Carey, George Michael etc.

Eu li que você já se encontrou a Madonna. Como foi isso?
Nós fomos convidados para uma festa, uma premiação na verdade. Coincidentemente ficamos lado a lado por alguns instantes e falamos qualquer coisa rápida. Foi engraçado. Quando eu ainda estava na Yeshiva (escola judaica ortodoxa) eu resava para ela vir me buscar. Para ela me tirar dali (risadas).

Desde a inância você trabalha com música e TV. Como era a vida quando criança?
Eu trabalhava o tempo inteiro, o que eu adorava. Eu cantava em comerciais e dublava programas infantis, como Holograms e Cabbage Patch Kids. Uma vez eu até fiz backing vocal para Dianna Ross. Mas também era difícil estar no show business e ao mesmo tempo em uma escola judaica ortodoxa. Eu tentava esconder um pouco meu lado artístico das pessoas no colégio, para não gerar ciúmes. Normalmente eram os caras que tinham mais ciúmes, já as meninas me amavam. Todas. Eu estava sempre tentando esconder algo. Na escola eu ainda tinha que esconder minha homosexualidade e no show-business minha origem judaica. Mas cantar, atuar e escrever desde pequeno foi um ótimo treino para o que eu faço hoje em dia.

Você sempre fala de amor em suas canções. Como o amor é presente na sua vida?
O amor é a razão para tudo. É a razão de estarmos aqui. O amor está em cada canção que eu escrevo. Eu amo minha família e meus amigos. Eu amo os meus ex, mas eu ainda estou atrás da minha alma gêmea. Eu espero que ela esteja em algum lugar aí. Eu sou um ser humano de muitas dimensões, complexo, com necessidades emocionais refinadas – para usar as palavras do meu terapeuta – então eu preciso de alguém seguro de si mesmo para lidar com tudo isso. É esse o maior desafio. Eu já tive relações longas. E já sofri por alguém, mesmo que tenha sido eu quem termninou a relação.

Qual o melhor e o pior lado de ser gay?
O melhor é que você pode jogar criando suas próprias regras. E o pior é que existam outras pessoas tentando colocá-lo em uma caixa, tentando limitá-lo.

Jr*

Esta entrevista também foi publicada na terceira edição da revista Junior, publicação bimensal produzida pelo Mix brasil e que pode ser encontrada nas melhores bancas de todo o país.

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Filed under Entrevistas, Gay, Música

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